Prefeito

Prefeito:

José Antônio Prates

prefeito

. Salinas - sal, luz, fermento...

. Minha primeira professora, Sá Lia Guimarães, carinhosa, paciente, me ensinou a ler, escrever, somar, “diminuir”, dividir, multiplicar; leu e contou histórias lindas para mim.
. No Grupo Escolar João Porfírio já entrei meio sabido graças a Sá Lia, mas com as professoras Aracy, Anita, Laura e dona Áurea, aprendi muito, entre deveres e brincadeiras, preparando asas para o vôo mais alto. Leitura e passeios foram intensos para amenizar o rigor das contas.

. Na Escola Agrícola de Salinas, aprendi combinar teoria e prática, valorizar conhecimento escolar e sabedoria popular. Foi minha plataforma para o grande vôo. Hoje ela é muito maior com o IFNMG, mas nasceu da querida EIAS-Escola de Iniciação Agrícola de Salinas. Ajudei no parto, mas também renasci dali. Ela estará sempre no andar de minha vida. 

. Em Barbacena, na EADA – Escola Agrotécnica Diaulas Abreu, hoje Instituto Federal Sudeste de Minas, turbinei o conhecimento, abri-me para a consciência do mundo complexo, busquei informação sobre as desigualdades e tomei posição do lado dos mais fracos e oprimidos. Venci as primeiras dúvidas e medos, próprios da militância política. Entrei em contato com o frio e sofri longe de Salinas...

. Universidade de Brasília – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

Ouvir Oscar Niemeyer dizer com clareza “mais importante que a Arquitetura é a Vida”, foi como encaixar com precisão a tampa no balaio. Só mais tarde, quando assumi a responsabilidade de liderar uma grande mobilização estudantil contra os desatinos da ditadura que quis acabar com a UnB, percebi a grandeza do Mestre ao gritarmos conscientes: QUEREMOS FORMAÇÃO E NÃO FORMATURA , título da monografia que relatava nossa luta em defesa da Universidade agredida. Somente 30 anos depois, com a Anistia, conclui o curso, tendo como trabalho técnico de graduação o Plano Diretor de Salinas.
. A prisão – Várias vezes estive hospedado em unidades militares de Brasília devido à caçada aos líderes estudantis promovida pelo regime militar. Não gosto de relembrar os sofrimentos ocorridos naquela oportunidade, mas além da tortura moral e física, há que relembrar, com tristeza, as condenações sem crime cometido, a extinção da FEUB – Federação dos Estudantes da Universidade de Brasília, da qual fui Presidente, a suspensão de meus direitos políticos por 10 anos, período em que estive exilado.

. No Chile permaneci por pouco tempo, pois desde longe a experiência peruana de um governo revolucionário formado por lideres militares e populares me pareceu muito curiosa e interessante, excitando meu espírito aventureiro.

. No Peru, em Lima, trabalhei como especialista no Método Paulo Freire, na Comissão de Reforma de Educação, em projetos de educação e organização popular nos bairros da periferia. Lima é marcante para mim por duas razões. A primeira porque foi lá que nasceu minha primeira filha Shakti e, a segunda razão porque no mesmo bairro popular, EL RESCATE, em que ela nasceu, participei de uma das maiores experiências políticas de minha vida, envolvendo de forma intensa e harmoniosamente, projetos de ocupação territorial, organização de Governo popular e planejamento urbano, integrando o conhecimento dos sábios do povo e a capacidade dos acadêmicos de diversas áreas.

. Na Argentina, fundei o Centro de Informação e Intercâmbio Latino Americano e as revistas EDUCACIÓN POPULAR en América Latina e ARGUMENTOS para El Diálogo Popular, buscando conhecer, analisar e divulgar experiências libertadoras no campo da educação e organização popular. Foi extremamente enriquecedora essa viagem pelos países latino-americanos.

. Na França – Paris
Da Argentina, cruzei o Oceano Atlântico, num vôo que marcou a distância, não física, mas das diferenças do chamado progresso, uma ponte unindo enormes contrastes sociais e econômicos. O ACNUR – Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados providenciou a viagem e um Laissez-Passer, documento que substitui o passaporte para uma única finalidade.
Com pouco tempo em Paris, já tinha lugar para morar, alimentar, documento de residência, trabalho numa empresa metalúrgica (operário mannutentionaire), matrícula no Curso de Urbanismo da Université de Vincennes. Aprendi rapidamente a língua, a ponto de poder ajudar os trabalhadores imigrantes de diversos países africanos e latino-americanos em sua inserção social, ainda sobrando tempo para ajudar nas organizações de solidariedade aos brasileiros que lutavam contra a ditadura. Mas minha alma buscava suas raízes históricas na África.

 . Na África – Guiné-Bissau 

Recomendado por Paulo Freire, o Presidente Luis Cabral me convidou, pessoalmente, para ir ajudar nos trabalhos de reconstituição nacional do primeiro país Libertado da colonização secular de Portugal. É indescritível com palavras, a beleza da experiência vivida. Ao chegar fui para o interior do pais na Comunidade de Có, onde estava sediado o Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Professores “Maximo Gorki”, do qual fui coordenador pedagógico, cujo embrião surgiu na organização das zonas libertadas durante o enfrentamento com o poderoso exército do" tugas" (colonizadores portugueses). Era o maior símbolo da educação na Guiné-Bissau porque formava os "PROFESSORES COMBATENTES". Minha participação foi plena, de forma espiritual, militante e pedagógica. Aprendi muito, uma escola de vida fantástica. Passeava pelos rios, arquipélagos, caminhos da selva, aventurava com tudo, aprendi a andar de bicicleta, moto e com as diversas etnias, seus sábios da medicina, nas bolanhas de arroz, as festas dos fanados e dos BA e dos LANTAS; conheci os IRÃS, bebi vinho de palma e comi carne de macaco no azeite de dendê. Realmente sofri, quando me despedi de tantos amigos que me acolheram como irmão. Mas o grande movimento é a volta, como diz Guimarães Rosa.

. A VOLTA - Bissau – Dakar – Rio de Janeiro – Belo Horizonte – Pingo D’água
Ao chegar, fiquei retido muito tempo, porque embora já estivessem prescritas as penas das condenações o registro dos amigos da ditadura ainda estava vigente. Várias horas depois peguei outro avião, do Galeão para a Pampulha, em Belo Horizonte, e ao chegar à porta da casa no bairro Anchieta em frente à Igreja São Mateus, onde minha mãe aumentou os calos nos joelhos de tanto rezar por mim, escutei com lágrimas intensas, uma enorme quantidade de pessoas cantando A volta da Asa Branca.

A agitação era grande por todos os lugares, a consequência da anistia e da volta dos exilados. Eu começava a reaprender o Brasil e queria fazê-lo pela zona rural. Pingo D Água – ACESITA – Uma torrente de aprendizagem. Toda a diversificada experiência vivida durante os anos de exílio em diferentes países serviram-me como ponto de partida e apoio para um trabalho de organização popular numa comunidade que ousaria buscar seu próprio caminho, com a força do povo impulsionando sua transformação em Distrito e a emancipação como Município exemplar. Educação e organização popular, planejamento urbano e unidade política foram vitais para construção de um belo exemplo que é o Pingo D Água, Município do qual sou cidadão honorário, com muita alegria.

BELO HORIZONTE

- Secretaria de Estado de Trabalho e Ação Social, Fundação João Pinheiro, Secretaria de Estado do Planejamento.
- Na primeira coordenei as ações de interiorização com a Diretoria de Organização Regional, o Programa de Organização da Ação Comunitária e o Programa de Centros Sociais Urbanos.
- No Planejamento coordenei o CENDEMI - Centro de Desenvolvimento Municipal e Micro Regional, com as associações micro regionais de Municípios.
- O VENDEDOR DE ENCICLOPEDIAS
Ainda em Belo BH trabalhei inusitadamente em um ramo no qual jamais havia imaginado incursionar: venda de enciclopédias. Fui várias vezes campeão nacional de vendas. Ganhei muito dinheiro, prêmios e viagens, trabalhando na Enciclopédia Britânica do Brasil, ambiente no qual também fiz muitos amigos e aprendi muito.

BRASILIA

. De volta a Brasília fui trabalhar como assessor de um velho amigo do tempo das lutas estudantis, na Câmara Legislativa do DF, Salviano Guimarães, à época seu Presidente. Conheci melhor a capital brasileira e pude sentir mais o valor de minha formação com Arquiteto e Urbanista exercendo os cargos de Diretor Legislativo e Assessor da Mesa Diretora da Câmara. A realidade e as contradições de Brasília eram abordadas e revisitadas com a presença vibrante do povo no cenário legislativo, trazendo para esse ambiente o mosaico da população brasileira, próprio de Brasília.
ESCREVENDO, POETANDO ... A primeira gota da torneirinha literária.
Comecei a escrever e, como dizia Octávio Paz, basta abrir a torneira e ver cair o primeiro pingo, que a água não cessa de jorrar. Livros são como filhos, não nos pertencem. Nós os fazemos, mas eles têm asas próprias e saem pelo mundo.
O PIRATA ESCARLATE, LUZ DO NAVEGANTE, A ILHA DO REI, PAIXÃO E DOR, O TROPEIRO E O MENINO, voaram arrebentando parte de mim.
. ACADEMIA DE LETRAS DO DISTRITO FEDERAL – ALDF
Ao som presencial do Coral Trovadores do Vale cantando “Você me chama tropeiro, eu não sou tropeiro não, sou arrieiro da tropa Marculino, o tropeiro é meu patrão”, adentrei à Academia para ocupar a Cátedra de Paulo Freire, homenageado em meu panegírico em forma de cordel, resgatando as figuras de Sócrates e Platão, a Acrópole e o Centro Cívico do Brasil, mediados pelo Vale do Jequitinhonha e seus mistérios...
. Como Presidente da ALDF por dois mandatos, trabalhei arduamente para fortalecer o potencial literário dos escritores acadêmicos e ainda saindo dos muros da Academia com ações para viajar pelo Brasil e o mundo. UM LIVRO POR TIMOR,foi um desses novos projetos através do qual mostramos a face de um povo heróico que usou adotar oficialmente a língua portuguesa como veículo de libertação. Fizemos uma belíssima campanha recolhendo livros para doar às bibliotecas do jovem país irmão.
.A ACADEMINHA foi outro projeto que abracei como Presidente da ALDF e que considero uma de minhas maiores criações ao trazer as crianças para o mundo acadêmico, com organização própria, produção literária intensa, agitadamente, uma verdadeira espaçonave em viagem intergaláctica sem fim...

. ARQUITETO E URBANISTA.

Em comunhão com a Literatura, a Arquitetura e em especial o Urbanismo, foram desde sempre paixões vocacionais de minha alma. Voltei para a Universidade de Brasília, após a Comissão de Anistia reconhecer meu direito como anistiado político e, na minha amada Faculdade de Arquitetura e Urbanismo terminei meu curso junto com os filhos de meus antigos companheiros de luta. Aí meu trabalho de graduação acadêmica foi o Roteiro para Elaboração do Plano Diretor de Salinas e a monografia foi a crônica das lutas em defesa da UnB e da FAU, trabalho intitulado “QUEREMOS FORMAÇÃO E NÃO FORMATURA”.

SALINAS À VISTA - Ouvindo o povo para elaborar o PLANO DIRETOR. 

. Foi algo exuberante ouvir a voz sábia do povo, expressando-se com alegria e propiciando as mais precisas informações. Daí foi um pulo, ainda que não planejado, para candidatar-me a Prefeito, vencer por meio de uma campanha simples, criativa e corajosa, e assim iniciar uma marcha pela recuperação do status de Salinas e a valorização do potencial de nosso povo. Dois mandatos seguidos nos quais exercitamos decência, diálogo, trabalho frenético e muito prazer, sempre reunindo as qualidades e potencialidades de nosso povo, a dedicação da equipe e a benção divina. As realizações ultrapassaram enormemente tudo o que planejamos e todas as nossas expectativas foram superadas conforme podemos observar em relatório à parte.

 

 

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